sexta-feira, 24 de junho de 2011

Programa 10-12 na TPA

Jorge Kalukembe participou no Programa 10-12 da TPA e apresentou o seu novo livro, um ensaio geopolítico: "Angola e o Mundo, na Era Pós-Petróleo" (24 de Junho de 2011).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

FIM DO OCIDENTE

Há dois anos (decorria o ano 2009) alertei que tempos muito difíceis se aproximavam. Afirmei que vários países da Europa terão tempos muito complicados para as suas populações. Alertei que se iria instalar a fome e a miséria. A resposta dos «fazedores de opinião» do mundo ocidental consideravam que a minha análise era deslocada da realidade.


Actualmente os mesmos que negavam o alerta que fiz no passado por falta de competência intelectual, agora aparecem nas televisões a falar de cátedra sobre o risco de falência de vários estados, nomeadamente Grécia, Irlanda e Portugal. Infelizmente no caso português não tem havido pensadores com capacidade para projectar o futuro do país. Se no passado fui dos primeiros a alertar que Portugal ia necessitar de ajuda financeira e ninguém acreditou, hoje a minha analise vai mais longe, ou seja, trago mais uma novidade – Se o preço do crude se mantiver com valores iguais ou superiores a 120 dólares, se a economia mundial sair da crise, teremos o disparo da inflação, de seguida teremos subida dos juros e depois teremos a falência completa de Portugal. Isto é, a ajuda financeira que será dada a Portugal em 2011 não será o suficiente para evitar a total falência do estado português.

O Governo de Portugal no dia 6 de Abril de 2011, finalmente aceitou que terá de pedir ajuda. Decisão demasiado tardia, que tornará a vida dos portugueses muito próximo do inteloravel.

Os portugueses irão pagar muito caro por uma longa governação socialista desastrosa, iniciada em 1995 e terminada em 2011 (com excepção de 2002 a 2004 com governação PSD/CDS).

Interessa aos angolanos que estejam muito atentos a tudo o que se passa na Europa, porque o futuro de Angola a curto prazo é «dourado» mas no longo prazo poderá não ser!

Esta reflexão e outras estão expostas no livro:

“Angola e Mundo na Era Pós-Petróleo” publicado pela Gráfica de Coimbra da minha autoria (Jorge Kalukembe).

sexta-feira, 11 de março de 2011

Crise no Norte de África e consequências para Angola e Mundo!

Basta haver um «abanão» nos países produtores de petróleo e de imediato o mundo entra em pânico! Só a Europa, importa por dia cerca de 8 milhões de barris.


Vejam-se as revoluções contra as ditaduras no Egipto e restantes países do norte de África e Médio Oriente, no inicio de 2011, que fizeram disparar o preço do petróleo. No dia 21 de Fevereiro aumentava para 104 dólares o barril, no dia 22 para 111 dólares, no dia 23 para 114 dólares no dia 24 disparava para os 120 dólares com perspectivas de continuar a subir o seu valor enquanto a crise na Líbia e restantes países não terminarem totalmente.

Como vão reagir estas economias se a escalada das revoluções iniciadas em 2011, no «mundo islâmico», durar meses? Talvez teremos: Inflação galopante? Subida dos Juros? Orçamentos dos Estados europeus descontrolados (por exemplo em Portugal um aumento de 10 dólares no preço do crude, significa um aumento na factura energética de 800 milhões de dólares)? Quebra das receitas turísticas em muitos países?

Outro aspecto muito grave, é que, as economias emergentes que têm sido as impulsionadoras do arranque económico mundial como a Índia e a China, poderão ser também gravemente afectadas pela escalada do preço do crude devido à já mencionada crise no norte de África e Médio oriente. Se tal acontecer haverá o efeito de «dominó» que provocará nova (e mais grave) recessão mundial porque as nações ainda estavam a tentar «levantar» da crise iniciada em 2008.

Para Angola as consequências também poderão ser graves, já que, uma nova e profunda crise mundial, levará novamente à queda do preço do crude e isso poderá novamente desequilibrar as contas do governo, tal como aconteceu, em 2009.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Na realidade a origem desta crise está associada à (in)segurança energética mundial.

Como é possível pensar agora que depois da subida em 2008 do preço do barril de petróleo não originasse o mesmo efeito?


É verdade que houve a «bolha» imobiliária nos EUA e em poucos países europeus, mas isso resultou do acumular de dois a três anos antes de 2008 do elevado «encaixe» financeiro dos países da OPEP, que criou enormes desequilíbrios financeiros internacionalmente.

De acordo com Rubin “Entre 2005 e 2007, o constante aumento do preço do crude transferiu cerca de um bilião de dólares de países da OCDE, com baixos níveis de poupança, para as economias da OPEP, com elevadas taxas de poupança. Por outras palavras, esse dinheiro sai e não volta.”(p.185)

A «replicação» do excedente financeiro dos países da OPEP regressou às economias importadoras de energia, sobretudo em aplicações imobiliárias.

Há uma visão muito redutora da grave crise que as economias desenvolvidas atravessam, explicadas pela já mencionada «bolha» imobiliária, gestores sem escrúpulos e especuladores «intrujões».

Se assim fosse, hoje a economia mundial já estava a entrar no «eixos»!

Na realidade a origem desta crise está associada à (in)segurança energética mundial.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fim da Europa!!

Angola em 2009 teve um crescimento de apenas 0,2% mas em 2010 voltou a um crescimento mais vigoroso,e um défice a rondar os 2,9% aproximadamente. Estes resultados são brilhantes comparados com as economias mais desenvolvidas, nomeadamente a Europa que se «afunda» nos seus défices públicos


A Europa, que «governou» o mundo nos últimos quinhentos anos, está agora lentamente a eclipsar-se. Futuramente podemos ler num jornal:

Jornal Diário, 21 de Dezembro de 2012,

Depois da Grécia, países como Irlanda, Portugal e Espanha estão na iminência da bancarrota nas próximas horas, porque a ajuda do FMI e o Fundo de Emergência da UE não foram suficientes para impedir a total falência destes estados. Segue-se a Itália e o Reino Unido

Apesar dos esforços em conter os défices públicos e as dívidas externas, estes países sucumbirão ao aumento dos juros e da inflação resultante da subida exponencial do preço do petróleo

O crescimento económico mundial das economias emergentes, apanhou em «contra-mão» os países com graves défices internos e externos.

Acabamos de ler o que hoje é apenas uma hipótese, mas com forte probabilidade de ocorrer.

Mesmo que os vários países europeus ultrapassem as grandes dificuldades que estão a ter nos últimos anos, dificilmente se aguentarão na próxima escalada do preço do petróleo – a verdadeira origem da actual convulsão financeira mundial.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O que aí vem!

Desde de 2007 vinha a verificar que muita coisa no mundo se iria passar muito rapidamente e que a verdade de um determinado dia, no dia seguinte podia já não ter nenhum sentido.


Inclusive tive a tentação de escrever um ensaio por mais um ou dois anos, pois sei que ainda estamos no inicio do fim de uma era e o começo de uma outra.

O ensaio faz uma reflexão da actualidade mundial, nomeadamente o iminente colapso do Ocidente associado a fim do petróleo barato, sobretudo da Europa, mas é particularmente um trabalho sobre e para Angola com uma visão de um geógrafo.

A propósito da Geografia considero que um cidadão não pode viver sem a Geografia, porque é esta a ciência que permite conhecer e compreender o funcionamento do globo, país, região ou o local onde vivemos. Esta é uma ciência de charneira que também absorve várias outras ciências, sintetiza-as e liga-as com uma visão geográfica. Ela é determinante para que o ser humano aprenda a avaliar, cartografar, elaborar listas dos recursos, das populações e actividades de um local, região, país ou mundo, bem como explicar as múltiplas relações entre o meio humano e o natural.

A Geografia tem como objectivo fazer-nos compreender as organizações das actividades humanas e as actividades naturais da terra explicando a relação entre o meio e a sociedade, através da aplicação do conhecimento para melhor aproveitar de forma sustentável os espaços que nos rodeiam.

Falar da importância da ciência Geografia é importante porque ao contrário do que se passa na maior parte dos «países da ciência» - leia-se países que têm elevadas verbas do seu orçamento de estado destinados à educação e em I&D – o Ensino Superior de Angola tem relativizado esta ciência.

Angola atravessa o melhor momento da sua história recente enquanto Nação independente, mas esse bom momento irá cruzar com os piores momentos para a humanidade, nomeadamente alterações climáticas, fim do petróleo barato, mudança do paradigma energético, transferência do poder do atlântico para o pacifico…

Iremos assistir a um travão violentíssimo do processo de globalização, que irão provocar um retrocesso nas condições de vida das pessoas, por vezes traumático.

Já estamos dentro do «período de transição lenta para novos paradigmas».

O petróleo barato ao longo do século XX permitiu intensificar e ampliar o que Portugal tinha iniciado há quinhentos anos: acesso ao mundo, ou seja, globalização.

Na economia global nos habituamos a não pensar nas distâncias, o importante é a mão-de-obra barata de preferência qualificada.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Planear o futuro de Angola

Angola tem maravilhado o mundo com seu elevado crescimento económico, com uma paz militar consolidada. Quem visita a capital Luanda, verifica que a cada mês que passa ela muda, já que, surge mais o prédio, mais uma urbanização, mais um viaduto ou mais uma estrada. Mas a mudança de Angola não se faz só com betão, ela também está a acompanhar a evolução tecnológica, com os cabos de fibra óptica, com o projecto do satélite angolano, com o crescimento de grupos empresariais na comunicação social, com uma rede bancária de «última geração» e de meter inveja aos seus vizinhos. Mas, Angola também é crescimento social, nomeadamente com construção de centenas de escolas, com o surgimento de universidades e clínicas ou hospitais. Inclusive em Angola também moderniza a sua administração pública, o melhor exemplo foi a criação do GUE (Guichet Único da Empresa), serviço que permite constituir, alterar ou extinguir negócios em menos de 24 horas. Uma Angola que nem a crise financeira mundial iniciada em 2008 e que se prolonga até aos dias de hoje, a impediu de estar «sempre a subir»!


É esta a Angola que temos agora. Claro que persistem ainda graves problemas de pobreza, analfabetismo e desigualdades. Mas, um país com o passado de Angola não se muda de um dia para o outro.

No entanto, Angola e os angolanos tem de continuar a correr, porque o mundo não parou enquanto os angolanos se matavam numa longa guerra civil. Actualmente o mundo tem avançado ainda mais impetuoso. Assim, é necessário correr em Angola ainda mais rápido, sobretudo porque se avizinham mudanças planetárias épicas, com origem na alteração do paradigma energético mundial – acabou o petróleo barato. Com isso tudo se está a alterar, e ainda não sabemos como e onde o mundo vai parar. O clima está a mudar com consequências imprevisíveis para globo.

Que cuidados ambientais existem em Angola, que planificação de cidades se está a fazer, quais os países-parceiros estratégicos de futuro, que sectores de actividades se devem apostar, que e qual o caminho que falta percorrer na áreas da educação, conhecimento e investigação? São estas e muitas outras reflexões que estão neste ensaio e que são determinantes para o sucesso de Angola.

É neste contexto que urge pensar e planear o futuro de Angola, sob pena de mais uma vez nos deixarmos ultrapassar por um conjunto de circunstâncias.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Angola surge das Cinzas

Um professor da Sorbona, P. Artus e M. Virarad, alertam (2010, p. 21) “A nossa convicção é que o tempo das vacas gordas acabou. Com a baixa taxas de juros e, de certa maneira, com a baixa dos preços ao consumidor ocidental. Que uma nova era da globalização começou”.


A «guerra» pelas matérias-primas, já começou e mais do que nunca vão ser a salvação de várias nações que estão num forte processo de industrialização.

Os continentes disputados serão o Continente Africano e a América do Sul. Estas duas grandes regiões são o futuro dos recursos naturais mundiais. Por esse facto os BRIC, estão de «malas e bagagem» em direcção ao continente africano.

Talvez seja por isso, que os economistas do Standard Bank afirmam que, em 2030, perto de 50% do comércio africano será feito com os BRIC (Jornal Expansão, p.39)

África é uma presa muito mais fácil que a América Latina, onde a maioria dos estados, facilmente são corrompidos e por isso já está a ser «devorada» pelos velhos predadores, mas também pelos novos.

É neste mundo intrincado, complexo e de mudanças profundas que Angola ressurge das «cinzas»!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Fases da Globalização

O processo de globalização é constituído por diferentes níveis de evolução e consequente aprofundamento do mesmo


Esta nova era, é também o inicio da quarta fase da globalização.

A 1º Fase da Globalização foi iniciada por Portugal, com os descobrimentos decorria o século XV; A 2º Fase da Globalização iniciada com a Revolução Industrial; A 3º Fase da Globalização iniciada com a exploração do petróleo. Agora estamos a iniciar a 4º Fase da Globalização com fim do petróleo barato.

Curiosamente a globalização foi iniciada pelo ocidente e se não houver solução energética de alternativa ao petróleo, o processo de globalização terminará no extremo oriente.

Um professor da Sorbona, P. Artus e M. Virarad, alertam (2010, p. 21) “A nossa convicção é que o tempo das vacas gordas acabou. Com a baixa taxas de juros e, de certa maneira, com a baixa dos preços ao consumidor ocidental. Que uma nova era da globalização começou”.

É neste mundo intrincado, complexo e de mudanças profundas que Angola ressurge das «cinzas»! Angola tem maravilhado o mundo com seu elevado crescimento económico, com uma paz militar consolidada. Quem visita a capital Luanda, verifica que a cada mês que passa ela muda, já que, surge mais o prédio, mais uma urbanização, mais um viaduto ou mais uma estrada. Mas a mudança de Angola não se faz só com betão, ela também está a acompanhar a evolução tecnológica, com os cabos de fibra óptica, com o projecto do satélite angolano, com o crescimento de grupos empresariais na comunicação social, com uma rede bancária de «última geração» e de meter inveja aos seus vizinhos. Mas, Angola também é crescimento social, nomeadamente com construção de centenas de escolas, com o surgimento de universidades e clínicas ou hospitais. Inclusive em Angola também moderniza a sua administração pública, o melhor exemplo foi a criação do GUE (Guichet Único da Empresa), serviço que permite constituir, alterar ou extinguir negócios em menos de 24 horas. Uma Angola que nem a crise financeira mundial iniciada em 2008 e que se prolonga até aos dias de hoje, a impediu de estar «sempre a subir»!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Petroleo não é a nossa salvação!!

Talvez ainda hoje, a maioria das pessoas não percebeu que o nosso mundo esteve à beira do colapso generalizado, ou seja, financeiro, económico e social, com consequências catastróficas para a humanidade. O referido colapso traria desemprego a uma escala já mais vista, a fome generalizada seria inevitável, como também grandes revoltas sociais à escala global.


Mas, ao contrário do que nos querem transmitir, o mundo ainda não está livre do colapso, penso inclusive que será inevitável, porque os que podiam fazer a diferença pela positiva, não o estão a fazer.

Esta não é apenas a minha interpretação, pois «grandes nomes» do sistema financeiro e económico são da mesma opinião. O jornal angolano Expansão, criado recentemente tem desempenhado um excelente trabalho, sobretudo com artigos dos grandes gurus da economia, que me foram muito úteis para sustentar a minha afirmação.
Alerto que a crise em Angola acabou por não se sentir como se pensava, mas isso só aconteceu porque aparentemente a crise durou menos tempo do que se pensava, mas independentemente de ter ou não chegado o fim da crise, espero que os governantes de Angola não se esqueçam da lição - o Petróleo não é a nossa salvação!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MASDAR

O Governo Abu tem convidado empresas de referencia mundial a instalarem-se na cidade sustentável de Masdar, um projecto, com conclusão prevista para 2016.


Estamos perante a primeira cidade 100% sustentável! Um investimento de 22 mil milhões de dólares, que está a atrair empresas de todo o mundo para ser uma referência mundial, não só na área das energias renováveis, mas também a todos os outros níveis relacionados com o ambiente e com a eficiência de tudo o que se utiliza ou se usa numa cidade. Haverá zero de desperdício, já que, toda a produção será reciclada.

O projecto de seis milhões de metros quadrados é fundado no modelo árabe da cidade murada articulado com tecnologia moderna de modo a alcançar uma sustentabilidade com desperdício energético nulo e continuo aproveitamento das energias utilizadas.

Masdar transformar-se-á num dos centros estratégicos de Abu Dhabi, com o interface de transportes a operar a curta e longa distância com o aeroporto internacional, permitindo a utilização oportuna da modernas redes viárias e a inserção do lugar na estrutura ferroviária e de transporte urbano.

O programa geral inclui a sede para a futura companhia energética de Abu Dhabi, uma universidade e um forte núcleo comercial apoiado por um ‘Innovation Center’.

A cidade desenvolver-se-á em duas fases, sustentadas em primeiro lugar pela central nuclear que se transformará na área de intervenção para a grande construção numa segunda fase. Assim, garante-se o crescimento urbano progressivo evitando que intervenções de pequena escala acabem por consumir o plano geral.

É nesta cidade projectada por Norman Foster que o Governo de Abu Dhabi pretende instalar a Agência Internacional de Energias Renováveis caso consiga vencer a batalha travada com três países europeus (Alemanha, Áustria e Dinamarca) para ser a sede do organismo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O novo paradigma do planeamento e ordenamento do território e das cidades

O novo paradigma do planeamento e ordenamento do território e das cidades está também directamente relacionado com a eficiência energética e qualidade de vida das pessoas.


As cidades de Angola que agora iniciam o seu crescimento têm a oportunidade que muitas cidades do mundo já não têm, para abraçar o novo paradigma do crescimento das cidades.

Este novo paradigma passa por criar centros de comércio e de empregos junto das áreas residenciais periféricas. Pelo crescimento vertical (apesar de haver visões contra este tipo de crescimento, parece-me a solução mais profícua) em detrimento do crescimento horizontal das cidades. Passa também por eficiente rede de transportes e utilização oportuna de modernas redes viárias, ferroviária e de transporte urbano, rápido e personalizado. Nas “novas cidade” será possível reduzir, ou até mesmo eliminar os carros na zonas históricas, os habitantes deslocar-se-ão através de um metro ligeiro de superfície e de um sistema de transporte individual, subterrâneo, em pequenos veículos eléctricos.

Haverá centros de reciclagem, centrais para tratamento de resíduos, centrais para tratamento da água com plantações de espécies diversas para a produção de bens alimentares na periferia da cidade. No caso das cidades de Angola estas poderão ter uma rede compacta de ruas com áreas constantes de sombra como a melhor forma de encorajar as pessoas a andar, protegendo-as das condições climatéricas extremas do calor. O imenso número de horas de sol angolano não será só usado para o turismo este será utilizado nos telhados dos edifícios em Angola, a energia solar vai ser a mais utilizada para as habitações.

Este novo paradigma de cidade, já está me curso nos Emiratos Árabes Unidos, em Abu Dhabi, com a criação de uma cidade de raiz – Masdar.

O país tem 12 horas de sol por dia: a energia solar vai ser a mais utilizada. Para as habitações, o atelier de Norman Foster projectou edifícios baixos com painéis solares no telhado. Além disso é indispensável evitar meios de transporte poluentes. Não haverá carros na cidade da Masdar Initiative. Qualquer transporte, loja, entidade ou instituição estará a uma distância máxima de 200 metros. Para isso foi projectada “uma rede compacta de ruas” com zonas constantes de sombra como a melhor forma de encorajar as pessoas a andar, protegendo-as das condições climatéricas extremas – ou seja, o calor infernal próprio da região – a que o Abu Dhabi está exposto. Além disso, a rede de transportes é rápida e pode ser personalizada. Na cidade sem carros, os habitantes deslocar-se-ão através de um metro ligeiro de superfície e de um sistema de transporte individual, subterrâneo, em pequenos veículos eléctricos.

O modelo americano

Por exemplo, o modelo americano de desenvolvimento das cidades com base na expansão urbana para os subúrbios, os incentivos de compra de casa própria nesses subúrbios, construção de auto-estradas de acesso aos subúrbios e “esvaziamento” demográfico dos centros da cidade tornando-os em meras zonas de serviços, tudo isto é um modelo ultrapassado.


O modelo americano que tem como base o alargamento das cidades com concentração de serviços no seu centro produziu efeitos nocivos aos seus habitantes.

Com as pessoas a morarem cada vez mais longe dos seus locais de emprego, a necessidade de deslocação aumenta, este facto acarreta graves prejuízos para as pessoas e economia de um país. Por exemplo, com o passar de horas em filas de transito todos os dias ao longo de uma vida cria danos na saúde com o stress diário e com poluição do ar, tempo perdido para as pessoas e empresas, mas mortes nas estradas e obvia degradação da paisagem. Quem vive em Luanda sabe muito bem o que isto significa!

Por outro lado, este tipo de crescimento de cidade trouxe graves prejuízos ambientais e desperdícios energéticos, já que, o pára-arranca aumenta o consumo do automóvel em mais de 50%. Todos os dias os congestionamentos de trânsito significam perdas de milhares de dólares para a economia de um país.

Urge rever o:

Programa Nacional de Politica de Ordenamento do Território, contendo as orientações e directrizes para a organização espacial em todo país;

Planos Regionais de Ordenamento do Território, contendo os instrumentos estratégicos, com linhas de orientação de gestão do território que levem em conta a evolução demográfica e as perspectivas de desenvolvimento socioeconómico, e gizar, a partir daí, as directrizes de ocupação territorial a nível regional, como por exemplo a localização de infra-estruturas;

Planos Sectoriais, onde estão inscritos as responsabilidades dos diferentes sectores da administração central que tenham alguma influencia sobre o ordenamento do território;

Planos Intermunicipais de Ordenamento do Território, que servem para melhorar e optimizar a coordenação entre dois ou mais municípios. Podem abranger a totalidade ou parte dos concelhos de uma Província;

Planos Directores Municipais que determinam de forma objectiva como devem ser dividido o espaço de um município, entre áreas rurais, urbanizadas ou de expansão urbana, espaços verdes, áreas de equipamento e outros tipos de uso do solo.

Planos de Urbanização e Planos de Pormenor, estes planos detalham os PDM em determinados espaços do município, os planos de urbanização definem as redes viárias básicas, indica a localização das habitações, comércio, serviços e os equipamentos colectivos a construir. Os planos pormenor tal como indica o nome são mais cirúrgicos, são a base para os projectos de execução das edificações, ruas, jardins e outros equipamentos. Importa salientar que os planos de pormenor também podem ser construídos para espaços rurais;

Planos Especiais de Ordenamento, são suplementares e apenas elaborados pela administração central com o intuito de proteger valores naturais de interesse nacional, que podem ser de três tipos – Planos de Ordenamento das Áreas Protegidas, Planos de Ordenamento da Orla Costeira, Planos de Ordenamento das Albufeiras de Águas Públicas (Garcia, 2004).

A favelização das cidades de Angola

A favelização das cidades de Angola trará gravíssimos prejuízos económicos, financeiros e sociais para o país.


Por exemplo, todo o potencial turístico que Angola tem que podia trazer vários milhares de milhões de dólares e mais de um milhão de empregos a médio e longo prazo será gravemente afectado com a favelização dos espaços urbanos. Por outro lado, será inevitável o aumento da criminalidade violenta e generalizada como se verificam no Brasil, onde muitas favelas são autênticos Estados dentro do Estado brasileiro, situação esta inaceitável para qualquer Estado soberano.

São vários os académicos que defendem o regresso em massa de muitos habitantes das cidades para os campos, o problema é que nenhum deles diz como é que isso pode ser feito sem “beliscar” a livre circulação de bens e pessoas.

As pessoas tem de abandonar as cidades, regressando aos espaços rurais não só de livre vontade como também com motivos válidos para o fazerem.

Teoricamente ainda estamos a tempo com excepção de Luanda (a não ser que se gaste muitos milhões de dólares), de resolver todos estes problemas de desordenamento urbano com bons planos de planeamento e ordenamento do território que levem em consideração o que é relevante para um harmonioso uso do território.

Os instrumentos de planeamento e ordenamento do território ao serem desenvolvidos devem prever níveis de expansão urbana capazes de absorver o aumento brutal da população.

Os mencionados instrumentos devem igualmente criar condições para melhorar as condições de vida dos cidadãos; trabalho; lazer; assegurar uma distribuição equitativa de habitação; preservar os solos com aptidão agrícola; rentabilizar as infra-estruturas, de forma a evitar o alargamento desnecessário dos perímetros urbanos, este último ponto é de extrema importância.

A favelização das cidades de Angola, os empreendimentos imobiliários e a construção de estradas para crescimento de subúrbios está a aumentar excessivamente o perímetro urbano destas, contrariando o novo paradigma de ordenamento e planeamento das cidades.

Planeamento e Ordenamento do Território em Angola

Não poderia deixar de reflectir sobre a temática do planeamento e ordenamento do território de Angola, sobretudo porque não podemos aceitar que as cidades africanas terão de ser obrigatoriamente caóticas, sujas e desordenadas. Este é um dos casos que devemos ter a responsabilidade e o dever de mudar, nem que seja, por uma questão de orgulho angolano, ou seja, se no tempo colonial as cidades angolanas eram comparáveis ás melhores cidades do mundo, qual a razão para não voltar a sê-lo!


O planeamento e ordenamento do território são determinantes para uma protecção eficaz da saúde humana, do ambiente, do património e para a promoção da qualidade de vida.

O interior de Angola está com uma fraquíssima densidade populacional, contudo as cidades estão a cada dia que passa mais “dilatadas”.

O êxodo rural em países com a característica de Angola é uma realidade que ainda perdurará durante vários anos, que contribui como alavanca para o aumento das manchas urbanas. No entanto, esta situação não é sustentável a médio e longo prazo, sobretudo porque provocará a desertificação do interior de Angola por um lado, e excesso de população nas cidades por outro.

O forte êxodo rural de Angola tem duas fases distintas uma primeira fase iniciada em finais dos anos setenta do século XX provocado pelo inicio da guerra civil, a segunda fase iniciada com o acordo de paz de 4 de Abril de 2002. A tão ansiada paz de Angola quando chegou trouxe um forte crescimento económico da capital, consequentemente todos os dias chegavam a Luanda pessoas vindas de todos os cantos de Angola à procura de mais e melhores oportunidades, assim, Luanda alberga quase metade de toda a população angolana.

No final da primeira década do século XXI começam outras capitais província de Angola a conhecer também o crescimento económico, com destaque para Benguela, Lubango e Huambo, aliviando a pressão demográfica de Luanda.

No entanto, ao analisarmos o ordenamento e planeamento destas cidades verificamos que os centros das cidades estão a ser absorvidos por uma periferia urbana que cresce a cada dia que passa de forma caótica, predominando habitações muito precárias ao estilo de favelas do Brasil.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O peso da actividade petrolífera é esmagador na economia angolana

O peso da actividade petrolífera é esmagador na economia angolana e consequentemente muito prejudicial. Dirão alguns (os menos dados a questões económicas), ou seja, os que não entendem nada de planeamento estratégico para uma nação a médio e longo prazo, que é inevitável para qualquer país produtor de petróleo, que este tenha um peso na economia como aquele que tem em Angola.Evidentemente que tal raciocínio está absolutamente errado! São vários os países que tal não acontece, eu apenas darei um dos exemplos mais paradigmáticos – Emiratos Árabes Unidos – uma nação que no passado apenas vivia do petróleo, mas que actualmente vive de muitas mais coisas para além de deste ouro negro. Neste país do golfo Árabe - Pérsico, houve na última década e meia uma reestruturação profunda nos sectores de actividade. As entidades governamentais perceberam que o seu país estava refém do seu petróleo e tal situação seria dramática a longo prazo, por conseguinte, houve uma redefinição de prioridades para os país. Por exemplo na última década o sector terciário cresceu exponencialmente representando actualmente mais de 40% do PIB, com destaque para a prestação de serviços e com a criação de um forte centro financeiro internacional na cidade do Dubai, a indústria também conheceu novos desenvolvimentos, nomeadamente no sector mineiro, dos transportes e claro do turismo. Os Emiratos Árabes Unidos produzem quase 3 milhões de barris de petróleo por dia, um valor significativo em termos financeiros, no entanto, actualmente o petróleo ficou reduzido “apenas” a 15% do PIB

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Angola resiste ao primeiro sopro! E quando houver outro?

Felizmente Angola está a aguentar o primeiro sopro, mas será que aguenta um segundo, sobretudo se esse sopro ocorrer quando Angola já não tiver petróleo?
Por conseguinte Gazel, afirma que as perspectivas económicas para Angola são incertas, e salienta que "os sinais actuais apontam para um caminho difícil pela frente".
Estranho seria, se tal assim não fosse, Angola, a terceira maior economia de África subsariana e sétima do continente! Vivemos numa era global, e Angola de hoje é uma nação integrada neste mundo intrincado a nível económico, financeiro e cultural. Por conseguinte, não é possível ficar imunes à crise mundial.
Contudo, o Banco Africano para o Desenvolvimento refere também que a actual crise financeira internacional ameaça o crescimento do investimento no sector não-petrolífero de Angola, "dada a queda mundial dos preços e uma maior dificuldade na obtenção de financiamento para os novos projectos".

terça-feira, 14 de julho de 2009

E agora Angola?

Em todas crises devemos e podemos tirar várias lições. No caso concreto de Angola, a principal lição é que sem o petróleo, ficamos reduzidos a muito pouco.
Vejamos, o economista Gazel chefe do Banco Mundial, alerta que a economia angolana irá “sofrer uma contração em 2009, pela primeira vez nos últimos anos, devido ao recuo "dramático" das receitas petrolíferas”. Aliás esse facto ficou evidente já em 2008 com uma queda nominal do PIB que rondou os 17%.Com a continuação da quase depressão mundial para 2009 e talvez 2010 dificilmente os preços de barril de petróleo atingiram valores outrora conseguidos, consequentemente, verificar-se-á o declínio dramático esperado nas receitas petrolíferas, logo teremos os ajustes orçamentários que deverão resultar num abrandamento (que pode ser significativo) no crescimento do sector não - petrolífero.